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Rádio Pioneira em Florianópolis foi a terceira emissora a ser criada em Santa Catarina. 

Sua fundação deu-se no dia 14 de maio de 1943.

Antes dela, veio apenas a Rádio Clube de Blumenau e a Difusora de Joinville. Pode-se dizer que a Guarujá é filha de bocas de jacaré, como eram chamados os quatro alto-falantes de madeira que, no ano de 1942, o gaúcho Ivo Serrão Vieira instalou em locais estratégicos da cidade, perto das lojas mais frequentadas, junto ao ponto principal de ônibus e na praça XV de Novembro, esquina com Felipe Schmidt, o ponto mais movimentado da capital. 

Junto com um grupo de amigos, Serrão montou sua empresa da propaganda nos altos da Confeitaria Chiquinho, uma famosa casa que existia na Felipe Schmidt. A renda da empresa era obtida basicamente dos oferecimentos musicais que os alto-falantes transmitiam em horas de grande audiência, enquanto se esperava a abertura do comércio e no momento de seu fechamento. Como o negócio deu certo, partiu-se para coisa melhor. Começava, então, a ser idealizada a ZYJ -7, Rádio Guarujá de Florianópolis.

O começo da modernização

Pouco tempo após ter sido criada, a Rádio Guarujá deixou o prédio da Confeitaria Chiquinho, sendo instalada na Praça XV de Novembro, num edifício de dois andares próximo de onde hoje se encontra a agência Bradesco. Ali, montou-se um pequeno estúdio, que recebeu o nome do presidente Roosevelt e que foi inaugurado solenemente, com a presença de Nereu Ramos, então interventor do Estado.

Os passos da modernização da rádio se aceleraram. Construiu-se um pequeno auditório, de onde transmitiam programas animados por Acy Cabral Teive, que também era locutor e narrador esportivo. Acy foi um símbolo do rádio catarinense.

Surge, nessa época, um nome que haveria de se transformar em destaque nas chanchadas nacionais e nos programas humorísticos da televisão brasileira. Era Mozart Régis, o Pituca, uma figura de porte físico pequeno, mas grande na sua capacidade de criar tipos. Na Guarujá, começou como contra-regra, tornando-se depois apresentador de vários programas, ator de rádio-novelas e, por fim, humorista.

A Guarujá deu ao ex-engraxate Pituca a oportunidade de projetar-se nacionalmente.

Razões do nome

Pouca gente sabe as razões que levaram a se dar o nome de Guarujá à primeira emissora de rádio de Florianópolis. Acontece que quando ela foi fundada, em 1943, praticamente só se ouviam duas estações na capital catarinense: a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e a Atlântica, de Santos. Esta última falava muito numa praia chamada Guarujá. O nome tornou-se bastante popular entre nós e esse fato foi o quanto bastou para que se registrasse a ZYJ-7 com o nome da citada praia do litoral paulista.

Registre-se que a audiência da Atlântica de Santos em Florianópolis era tão grande que ouvintes de Florianópolis faziam daqui oferecimentos musicais através daquela emissora. Vale lembrar que a música popular transmitida pelas rádios da época conseguiam mobilizar multidões de ouvintes.

A Guarujá soube aproveitar esse filão, fazendo com que seus índices de audiência batessem todos os recordes logo após a sua instalação oficial. Com isso, já na arrancada de seus trabalhos, a emissora de rádio pioneira na capital dos catarinenses, a Guarujá, caiu no agrado de todos.

Os problemas da "arrancada"

Coube ao cadete do Exército Walter Lange Júnior montar o transmissor de 80 watts de potência que fez a Rádio Guarujá começar as suas transmissões no dia 14 de maio de 1943.

Nos primeiros tempos, seu alcance era limitadíssimo. Chegava apenas aos aparelhos localizados no centro da cidade em parte do Estreito, na Agronômica e no Saco dos Limões. Nos dias de trovoada, ninguém conseguia ouví-la, tantos e tamanhos eram os roncos produzidos nos aparelhos. A energia elétrica era precária. Raro era o dia em que não faltava luz, fato que representava um problema para a emissora. De qualquer forma, a novidade empolgou toda a cidade e em pouco tempo a Guarujá obteve grande prestígio, caindo na simpatia de todos.

Sua programação diária era iniciada às 10 horas da manhã, quando entrava no ar o programa musical “A Velha Viena”. As valsas de Strauss eram o destaque. Às 2 da tarde a rádio saía do ar, já que o transmissor aquecia muito, precisando de um descanso. No final da tarde, os trabalhos eram reiniciados, transmitindo-se “A Hora da Prece”.

Tudo era feito com grande entusiasmo, mas com um flagrante amadorismo. O lado profissional despontou em pouco tempo, tornando a Guarujá líder de audiência com uma programação rica e variada.

Emissora ganha novo perfil

Em 1946, a Rádio Guarujá mudou de dono. O empresário político Aderbal Ramos da Silva, que um ano depois se elegeria Governador do Estado, comprou a rádio de Ivo Serrão. Aderbal, que um pouco antes comprara a difusora de Laguna, trouxe dessa cidade Nelson Almeida para dirigir a Guarujá

Com Aderbal Ramos da Silva, a emissora ganha um novo perfil, crescendo ainda mais. Foi adquirida uma parte do prédio que servia de sede para o Clube Náutico Martinelli, na Rua João Pinto, e ali se instalou a emissora. Construiu-se um grande auditório, com capacidade para 300 lugares, bem como estúdios para gravação, rádio-teatro, locução e sala para comercial. Segundo Ricardo Medeiros e Lucia Helena Vieira, autores do livro “História do Rádio em Santa Catarina”, começava nessa época “o período de glamour da mais antiga emissora da Capital, agora com ondas médias e ondas curtas.

Sob o domínio de Aderbal Ramos da Silva, a Guarujá desponta também como um poderoso instrumento político-partidário, exercendo forte influência no processo de politização dos catarinenses. Todas as novidades tecnológicas que surgiam no Brasil eram incorporadas rapidamente à Rádio Guarujá de Florianópolis.

O sucesso das novelas

As Rádio-novelas, que substituíram o rádio-teatro, foram uma novidade introduzida no Brasil pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A primeira delas começou a ser transmitida numa manhã de 1941, permanecendo no ar durante dois anos e meio. Chamava-se “Em Busca da Felicidade” e foi escrita por Leandro Blanco. Todos os dias os românticos capítulos transmitiam emoções a milhares de ouvintes de todos os cantos do país.

Na Guarujá, as rádio-novelas começaram a despontar no início da década de 50. E em pouco tempo alcançaram o mesmo sucesso verificado nos dias de hoje pelas novelas da Globo. A audiência superava todas as expectativas.

Gustavo Neves foi o autor das novelas preferidas dos ouvintes. A principal delas, em termos de audiência, foi “Nuvem Negra em Céu Azul”. Foram 31 capítulos cheios de emoções, nos quais despontavam os galãs Ciro Marques Nunes e Maria Alice Barreto.

Também faziam parte do elenco Edgar Bonassis da Silva, Darci Costa, Helio Teixeira da Rosa e as irmãs do galã, Cora e Nívea Marques Nunes. As novelas da Guarujá fizeram história.

Começam as transmissões externas

Como já foi dito, as rádio-novelas produzidas pela Rádio Guarujá atraíam milhares de ouvintes. Mas não foi apenas nesse campo que a emissora deu saltos significativos no final da década de 40, início dos anos 50. Um deles aconteceu em 1948, quando foi adquirido, em São Paulo, um transmissor de grande potência. Com ele, a emissora capacitou-se a diversificar sua programação, passando a fazer transmissões externas. 

Transmitiam-se cerimônias religiosas diretamente da Catedral Metropolitana, irradiavam-se eventos importantes que aconteciam no Teatro Álvaro de Carvalho e até bailes e desfiles carnavalescos. Fazia-se isso levando o amplificador para o palco dos acontecimentos e a transmissão era realizada através da Companhia Telefônica Catarinense, cujos serviços eram bastante precários e, em vista disso, vez por outra as transmissões eram interrompidas em virtude de problemas técnicos.

O grande destaque do trabalho externo feito pela Guarujá foi o esporte, em especial o futebol, que de lá pra cá foi e continua sendo o carro-chefe da emissora.